MRSA comunitário vs. MRSA hospitalar: qual é a diferença?
Ambos são MRSA. Os nomes descrevem onde a infeção começou e, muitas vezes, que estirpe a causou. Eis em que diferem e porque é que a fronteira se esbateu.

- O MRSA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina) é um estafilococo que não responde a alguns antibióticos comuns. Pode propagar-se nos hospitais e nos contextos comunitários do dia a dia.1
- O MRSA hospitalar (associado aos cuidados de saúde) afeta sobretudo doentes após uma cirurgia, com dispositivos médicos ou em cuidados de longa duração.2
- O MRSA comunitário propaga-se geralmente por contacto pele com pele entre pessoas saudáveis e causa, na maioria das vezes, infeções de pele.25
- Não é possível saber de que tipo se trata só pelo aspeto. Se uma infeção de pele estiver vermelha, dolorosa e a piorar, consulte um médico.1
A resposta curta
O MRSA comunitário e o MRSA hospitalar são ambos Staphylococcus aureus resistente à meticilina: estafilococos que não respondem a vários antibióticos comuns.1 Os nomes descrevem sobretudo onde a pessoa contraiu a infeção. Também tendem a corresponder a estirpes diferentes, pessoas diferentes e tipos de infeção diferentes.
O estafilococo em si é muito comum. Cerca de uma em cada três pessoas é portadora dele na pele ou no nariz, normalmente sem qualquer problema.1 Os problemas começam quando entra numa ferida, num dispositivo médico ou na corrente sanguínea. Para o essencial, consulte o nosso guia sobre o que é o MRSA.
MRSA hospitalar: ligado aos cuidados médicos
O MRSA associado aos cuidados de saúde é o que se contrai durante ou após um internamento num hospital ou noutro local de prestação de cuidados.2 Para efeitos de vigilância, os CDC (a agência de saúde pública dos EUA) consideram uma infeção da corrente sanguínea como de início hospitalar quando a análise positiva é colhida no quarto dia de internamento ou mais tarde.3
As pessoas mais afetadas são:2
- Doentes internados, sobretudo pessoas idosas e pessoas com o sistema imunitário enfraquecido
- Pessoas que foram operadas
- Pessoas com acessos intravenosos, cateteres ou outros tubos médicos
- Residentes em instituições de cuidados de longa duração
Como estas pessoas já estão doentes e têm aberturas na pele, o MRSA hospitalar pode causar infeções graves. O MRSA hospitalar causa com mais frequência infeções invasivas, ou seja, infeções que chegam mais fundo do que a pele.5 As infeções graves por MRSA podem atingir a corrente sanguínea, os pulmões, os ossos, as articulações ou as válvulas cardíacas.2 As estirpes hospitalares também têm maior probabilidade de resistir a vários tipos de antibióticos ao mesmo tempo.5
MRSA comunitário: propaga-se no dia a dia
O MRSA associado à comunidade surge em pessoas que não estiveram recentemente internadas nem foram submetidas a um procedimento médico.5 Propaga-se geralmente pelo contacto pele com pele e por objetos partilhados.2 Os cortes e arranhões dos desportos de contacto e os locais com muita gente, como acampamentos militares e creches, dão-lhe mais oportunidades de se propagar.2 Os grupos de maior risco incluem atletas, alunos de escolas e creches, militares que vivem em casernas e pessoas que injetam drogas.1
O MRSA comunitário causa sobretudo infeções da pele e dos tecidos moles, como furúnculos, abcessos e celulite infeciosa.5 Muitas vezes começam como altos inchados e dolorosos que parecem borbulhas ou picadas de aranha.2 Muitas estirpes comunitárias possuem uma toxina chamada leucocidina de Panton-Valentine (PVL), que está associada a estas infeções de pele.5
Uma estirpe comunitária, chamada USA300, já era em 2011 o tipo de MRSA mais comum nos Estados Unidos.4

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Conhecer a Staph AidPorque é que a fronteira se esbateu
Os dois tipos costumavam ficar cada um no seu território. Já não é assim. Pouco depois de a USA300 começar a propagar-se na comunidade, tornou-se também uma causa comum de infeções dentro dos hospitais.4 Hoje, um doente pode levar uma estirpe comunitária para um hospital, e um doente pode levar uma estirpe hospitalar para casa.
Os hospitais fizeram progressos reais. Entre 2005 e 2016, as infeções da corrente sanguínea por MRSA de início hospitalar nos EUA diminuíram 74%, enquanto as de início na comunidade diminuíram 40%.3 Os CDC referiram também que os progressos abrandaram depois de 2012 e que o MRSA transportado na comunidade alimenta novos casos nos serviços de saúde.3
A diferença importa para si?
Para o seu médico, pode importar. Os dois tipos respondem muitas vezes a antibióticos diferentes, por isso o médico pode analisar uma amostra da infeção antes de escolher o tratamento.5 Essa escolha cabe ao médico, não a suposições feitas em casa.
Para si, a pergunta mais útil é onde passa o seu tempo. Os CDC sugerem hábitos diferentes para contextos diferentes:6
- Em casa, na escola ou no ginásio: higienize as mãos com frequência, mantenha os cortes cobertos até sararem, não partilhe toalhas nem lâminas de barbear e coloque uma toalha ou roupa entre a pele e o equipamento partilhado.
- Como doente: higienize as mãos antes e depois de mudar o penso de uma ferida e avise a equipa de saúde se a pele à volta de um acesso intravenoso ou de um cateter começar a parecer infetada.
- Como visita: higienize as mãos ao entrar e ao sair do quarto de um doente e pergunte se precisa de usar bata ou luvas.
Se tiver uma cirurgia marcada, o nosso guia sobre o estafilococo nos hospitais reúne mais perguntas a fazer.
Quando consultar um médico
Não é possível saber só pelo aspeto se uma infeção de pele é MRSA.1 Procure avaliação médica se notar:
- Um alto ou uma zona vermelha, inchada, quente, dolorosa ou a deitar pus1
- Uma ferida com aspeto infetado, sobretudo se também tiver febre2
- Vermelhidão à volta de uma incisão cirúrgica, de um acesso intravenoso ou do local de um cateter
- Uma infeção de pele que volta repetidamente, ou que passa para as pessoas com quem vive
Procure cuidados urgentes ou ligue para o número de emergência 112 em caso de febre com vermelhidão que se espalha rapidamente, dificuldade em respirar, confusão ou grande mal-estar. Não esprema nem drene um alto por conta própria; deixe o médico decidir qual o tratamento adequado.
- Centers for Disease Control and Prevention. Methicillin-resistant Staphylococcus aureus (MRSA) Basics. https://www.cdc.gov/mrsa/about/index.html
- Mayo Clinic. MRSA infection: Symptoms and causes. https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/mrsa/symptoms-causes/syc-20375336
- Kourtis AP, Hatfield K, Baggs J, et al. Vital Signs: Epidemiology and Recent Trends in Methicillin-Resistant and in Methicillin-Susceptible Staphylococcus aureus Bloodstream Infections, United States. MMWR 2019;68(9). https://www.cdc.gov/mmwr/volumes/68/wr/mm6809e1.htm
- Carrel M, et al. USA300 Methicillin-Resistant Staphylococcus aureus, United States, 2000-2013. Emerging Infectious Diseases 2015;21(11). https://wwwnc.cdc.gov/eid/article/21/11/15-0452_article
- Tobin EH, Jogu P, Koirala J. Methicillin-Resistant Staphylococcus aureus. StatPearls, NCBI Bookshelf. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK482221/
- Centers for Disease Control and Prevention. Preventing Methicillin-resistant Staphylococcus aureus (MRSA). https://www.cdc.gov/mrsa/prevention/
Este artigo destina-se apenas a informação geral e não constitui aconselhamento médico. Se pensa que tem uma infeção, consulte um médico. Estas declarações não foram avaliadas pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA. Este produto não se destina a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença.








