Enfermeiros e MRSA: como proteger-se e proteger a família depois do turno
A maioria dos enfermeiros não é portadora de MRSA, e ser portador não é o mesmo que estar doente. Alguns hábitos constantes no trabalho e à porta de casa mantêm o risco baixo.

- Numa grande revisão, cerca de 4,6% dos profissionais de saúde rastreados eram portadores de MRSA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina). A maioria não é, e ser portador não é o mesmo que ter uma infeção.2
- Nos cuidados de saúde, o MRSA transmite-se geralmente por contacto com feridas infetadas ou através de mãos contaminadas.1
- As luvas não substituem a higiene das mãos. Deve higienizar as mãos antes de calçar as luvas e logo depois de as retirar.3
- A farda hospitalar acumula bactérias durante o turno. Lavá-la a quente, com lixívia se o tecido o permitir, e depois secá-la na máquina é o método preferível em casa.5
Como é realmente o risco
Os enfermeiros passam os dias perto de pessoas que podem ser portadoras de MRSA, por isso é natural perguntar o que se leva para casa. Os CDC (a agência de saúde pública dos EUA) estimam que cerca de 2 em cada 100 pessoas sejam portadoras de MRSA e observam que a taxa pode ser mais elevada em alguns grupos.1
Os profissionais de saúde são um desses grupos, mas a diferença não é tão grande como muitos receiam. Uma revisão que reuniu os resultados de rastreio de mais de 33 000 profissionais de saúde encontrou uma taxa média de colonização por MRSA de 4,6%.2 Ou seja, a maioria dos enfermeiros não é portadora. E ter MRSA na pele ou no nariz, a chamada colonização, não é o mesmo que ter uma infeção.
As mãos fazem a maior parte do trabalho
Em contexto de cuidados de saúde, o MRSA transmite-se geralmente por contacto direto com uma ferida infetada ou através de mãos contaminadas.1 Os autores da revisão concluíram que os profissionais de saúde atuam, na maioria das vezes, como portadores que passam os micróbios adiante, e não como a fonte original, e que uma boa higiene das mãos continua a ser essencial.2
É por isso que os momentos de higiene das mãos definidos pelos CDC são tão importantes. Deve higienizar as mãos imediatamente antes de tocar num doente, antes de um procedimento limpo ou asséptico, depois de tocar num doente ou no que o rodeia, após contacto com fluidos corporais e logo depois de retirar as luvas.3 Alguns profissionais chegam a higienizar as mãos 100 vezes num turno.3
A menos que as mãos estejam visivelmente sujas, o gel desinfetante para as mãos à base de álcool é a opção preferível na maioria das situações clínicas, porque mata os micróbios das mãos de forma mais eficaz do que o sabão.3 Quando as mãos estiverem visivelmente sujas, deve passar a usar água e sabão.3
As luvas não substituem a higiene das mãos. Deve higienizar as mãos antes de calçar as luvas e novamente depois de as retirar.3
Cuidar da própria pele
A pele é a primeira barreira. Na mesma revisão, a doença crónica da pele foi um dos principais fatores de risco para a colonização por MRSA entre os profissionais de saúde.2 A higiene constante das mãos pode deixar a pele seca e gretada, por isso cuidar da pele faz parte do controlo de infeção, e não é um luxo.
- Usar um creme de mãos aprovado pela instituição, para que não interfira com o gel desinfetante.3
- Evitar água quente ao lavar as mãos e secá-las com toques leves, em vez de as esfregar.3
- Manter as unhas naturais curtas, sem ultrapassarem a ponta do dedo. Evitar unhas artificiais se cuidar de doentes de alto risco.3
- Tapar qualquer corte ou arranhão e falar com o serviço de saúde ocupacional se as mãos gretarem ou surgir uma erupção cutânea.

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Conhecer a Staph AidUma rotina para depois do turno
A roupa também apanha microrganismos. Num ensaio que acompanhou 40 enfermeiros em turnos de 12 horas, a roupa apanhou novas bactérias em 16% dos turnos, e a farda hospitalar com tecido antimicrobiano não fez diferença.4 As orientações de especialistas observam que todo o tipo de roupa de trabalho pode ficar contaminada, embora nenhum estudo clínico tenha demonstrado que a roupa transmite infeções aos doentes.5
Uma rotina curta cobre o essencial:
- Higienizar as mãos ao sair do serviço e outra vez ao chegar a casa.
- Se possível, despir a farda no trabalho e levá-la para casa num saco à parte.
- Lavar a farda em água quente, com lixívia se o tecido o permitir, e depois secá-la na máquina de secar.5
- Limpar o telemóvel, o cartão de identificação e a garrafa de água com um produto seguro para cada um.
Para conhecer a investigação sobre a roupa, leia A farda hospitalar leva micróbios para casa?
Em casa, com a família
Fora do hospital, o MRSA transmite-se basicamente da mesma forma: por contacto com pele ou feridas infetadas, ou com objetos que tenham tocado em pele infetada.6 Isso significa que as regras do dia a dia que protegem qualquer casa também protegem a família de qualquer coisa que se possa trazer para casa.
- Toalhas, lâminas de barbear e toalhas de rosto devem ser de uso pessoal.
- Tapar qualquer corte ou arranhão até sarar.
- Lavar as mãos antes de cozinhar e de comer, e depois de mudar pensos.
- Se alguém em casa tiver furúnculos ou infeções de pele que voltam repetidamente, informar o médico dessa pessoa de que alguém da casa trabalha na área da saúde.
Para quem tem curiosidade em saber se é portador de estafilococos, vale a pena saber que a colonização é comum em toda a gente, e não apenas nos enfermeiros. O nosso artigo sobre porque é que a colonização é comum entre os profissionais de saúde explica melhor.
Quando consultar um médico
Deve consultar um médico, e informar o serviço de saúde ocupacional, se o próprio ou alguém em casa tiver:
- Um alto ou uma ferida vermelha, inchada, quente, dolorosa ou a drenar pus6
- Uma infeção de pele com febre6
- Uma infeção de pele que não melhore em 48 horas6
- Furúnculos ou infeções de pele que voltam repetidamente
Deve procurar cuidados urgentes ou ligar para o número de emergência 112 em caso de febre com vermelhidão que se espalha rapidamente, confusão ou dificuldade em respirar. Não deve espremer uma ferida; deve mantê-la tapada e deixar o médico decidir o tratamento.6 Antes de trabalhar com uma infeção de pele a drenar, deve consultar as regras da sua instituição.
- Centers for Disease Control and Prevention. Clinical Overview of Methicillin-resistant Staphylococcus aureus (MRSA) in Healthcare Settings. https://www.cdc.gov/mrsa/hcp/clinical-overview/index.html
- Albrich WC, Harbarth S. Health-care workers: source, vector, or victim of MRSA? The Lancet Infectious Diseases. 2008;8(5):289–301. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18471774/
- Centers for Disease Control and Prevention. Clinical Safety: Hand Hygiene for Healthcare Workers. https://www.cdc.gov/clean-hands/hcp/clinical-safety/index.html
- Anderson DJ, Addison R, Lokhnygina Y, et al. The Antimicrobial Scrub Contamination and Transmission (ASCOT) Trial: a three-arm, blinded, randomized controlled trial with crossover design to determine the efficacy of antimicrobial-impregnated scrubs in preventing healthcare provider contamination. Infection Control & Hospital Epidemiology. 2017;38(10):1147–1154. https://doi.org/10.1017/ice.2017.181
- Bearman G, Bryant K, Leekha S, et al. Healthcare personnel attire in non-operating-room settings. Infection Control & Hospital Epidemiology. 2014;35(2):107–121. https://doi.org/10.1086/675066
- Centers for Disease Control and Prevention. Methicillin-resistant Staphylococcus aureus (MRSA) Basics. https://www.cdc.gov/mrsa/about/index.html
Este artigo destina-se apenas a informação geral e não constitui aconselhamento médico. Se pensa que tem uma infeção, consulte um médico. Estas declarações não foram avaliadas pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA. Este produto não se destina a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença.








