Infeções de pele na luta livre: estafilococo, tinha e herpes gladiatorum
Tatamis, suor e contacto constante pele com pele fazem das salas de luta livre locais onde os micróbios se espalham facilmente. Eis como reconhecer as três grandes infeções e mantê-las longe da sua equipa.

- Os lutadores têm três tipos principais de infeção de pele: bacteriana (sobretudo por estafilococo), fúngica (tinha) e viral (herpes gladiatorum, ou herpes dos lutadores).
- Transmitem-se por contacto pele com pele e através de toalhas, equipamento e superfícies partilhados.1
- Tomar duche logo após o treino, lavar o equipamento depois de cada utilização e cobrir os cortes são os cuidados básicos do dia a dia.1
- Qualquer ferida, erupção ou bolha nova deve ser observada antes de lutar. Uma única lesão descoberta pode dar início a um surto.2
Porque é que os lutadores têm infeções de pele
A luta livre põe mais pele em contacto com mais pele do que quase qualquer outro desporto. Juntando os tatamis, o equipamento partilhado, o suor e os pequenos arranhões que surgem em cada treino, os micróbios têm um caminho fácil de um atleta para o seguinte.
Os CDC (a agência de saúde pública dos EUA) apontam estes mesmos fatores para os atletas em geral: contacto repetido pele com pele, cortes e arranhões que dão aos micróbios uma porta de entrada, objetos e superfícies partilhados e nem sempre ser possível tomar duche logo após o treino.1
Um único lutador infetado pode transmitir uma infeção a muitos outros. Num surto de 2014 no Arizona, 47 casos foram associados a um único torneio do ensino secundário em que dois lutadores competiram com feridas na pele descobertas.2
Estafilococo e MRSA
O Staphylococcus aureus, ou estafilococo, é uma bactéria comum de que muitas pessoas saudáveis são portadoras. Causa problemas quando entra num arranhão, numa queimadura do tatami ou num folículo piloso. O MRSA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina) é um tipo de estafilococo que pode resistir a vários antibióticos.6
Uma infeção de pele por estafilococo ou por MRSA surge geralmente como um nódulo ou uma zona dorida que está vermelha, inchada, dolorosa, quente ao toque ou cheia de pus. Algumas pessoas também têm febre.6 Os CDC incluem os atletas entre os grupos com maior risco de MRSA.6
O impetigo, uma infeção superficial da pele que deixa feridas com crostas, foi o diagnóstico mais comum no surto do Arizona, com 46% dos casos confirmados.2 Para saber mais sobre como reconhecer o estafilococo, veja o aspeto de uma infeção por estafilococo.
Tinha: um fungo, não um verme
Apesar do nome inglês («ringworm», literalmente «verme em anel»), a tinha (dermatofitose) é causada por um fungo.3 No corpo, surge geralmente como uma erupção com comichão e em forma de anel. Pode parecer vermelha em peles mais claras e cinzenta ou castanha em peles mais escuras.3
Os CDC indicam os desportos de contacto, como a luta livre, como fator de risco. A tinha transmite-se por contacto pele com pele, através de toalhas e lençóis partilhados e a partir de superfícies como o chão dos balneários.3 Pode também passar dos animais para as pessoas, pelo que uma erupção apanhada de um animal de estimação em casa pode acabar no tatami.3

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Conhecer a Staph AidHerpes gladiatorum
O herpes gladiatorum, por vezes chamado «herpes do tatami», é uma infeção de pele causada pelo vírus herpes simplex tipo 1 (HSV-1).4 Transmite-se ao tocar nas feridas de uma pessoa infetada ou através de equipamento, toalhas e objetos pessoais partilhados.4
Surge geralmente como um conjunto de bolhas transparentes e cheias de líquido, mais frequentemente na cabeça, no pescoço e no tronco, cerca de oito dias após o contacto. Algumas pessoas têm também febre, gânglios inchados, dor de garganta ou uma sensação de formigueiro.4
Há duas coisas que o distinguem. Primeiro, quem tem o vírus fica com ele para toda a vida, e pode voltar a manifestar-se.4 Segundo, pode propagar-se rapidamente numa equipa. Num campo de treino de luta livre no Minnesota, em 1989, 60 de 175 lutadores foram infetados, e a maioria das feridas estava na cabeça e no pescoço.5
Hábitos que mantêm a equipa no tatami
A maior parte da prevenção é simples e diária. Os CDC e os departamentos de saúde estaduais dos EUA recomendam:
- Tomar duche com sabão assim que o treino acaba e não partilhar sabonetes nem toalhas.1
- Lavar e secar completamente o equipamento, as toalhas e a roupa depois de cada utilização, na máquina de secar e não no estendal.1 O nosso guia sobre como lavar um gi (quimono) e uma rash guard explica como fazer.
- Cobrir cortes e arranhões com um penso limpo e seco até sararem.1
- Não partilhar lâminas de barbear, roupa nem pomadas de embalagens abertas.1
- Usar chinelos de duche nos balneários e nos duches públicos.3
- Limpar os tatamis com um desinfetante aprovado antes do treino e entre combates.2
- Verificar a própria pele todos os dias e informar o treinador ou o preparador físico de qualquer alteração nova antes de lutar.
As verificações da pele e ficar de fora fazem diferença. Depois do surto do Arizona, as autoridades de saúde aconselharam afastar da competição os lutadores com feridas visíveis e descobertas, e a associação estadual recorreu a profissionais de saúde para verificar a pele de todos os lutadores antes dos combates.2
Quando consultar um médico
Consulte um médico, ou a equipa médica do clube, antes de voltar ao tatami se notar algum destes sinais:
- Um nódulo ou ferida vermelha, inchada, quente, dolorosa ou cheia de pus6
- Vermelhidão que alastra, ou estrias vermelhas que se afastam de uma ferida
- Febre ou arrepios juntamente com qualquer problema de pele6
- Um conjunto de bolhas, sobretudo na cara, na cabeça ou no pescoço
- Qualquer ferida ou bolha perto do olho: procure cuidados no próprio dia4
- Uma erupção com comichão, em forma de anel, que não desaparece
- Uma ferida que continua a reaparecer
Se alguém tiver febre com vermelhidão que alastra depressa, parecer confuso ou estiver muito doente, procure cuidados urgentes ou ligue para o número de emergência 112.
Não esprema nem rebente feridas, e não se limite a tapar uma com adesivo para conseguir fazer um combate. O estafilococo, a tinha e o herpes precisam, cada um, de uma abordagem diferente, e um médico pode dizer-lhe o que tem e quando é seguro voltar. Os treinadores podem encontrar mais informação em MRSA nos desportos de equipa.
- Centers for Disease Control and Prevention. Athletes: MRSA Prevention and Control. https://www.cdc.gov/mrsa/prevention/athletes.html
- Centers for Disease Control and Prevention. Notes from the Field: Outbreak of Skin Lesions Among High School Wrestlers, Arizona, 2014. MMWR, 2015;64(20). https://www.cdc.gov/mmwr/preview/mmwrhtml/mm6420a6.htm
- Centers for Disease Control and Prevention. Ringworm Basics. https://www.cdc.gov/ringworm/about/index.html
- Wisconsin Department of Health Services. Herpes Gladiatorum. https://www.dhs.wisconsin.gov/disease/herpes-gladiatorum.htm
- Centers for Disease Control and Prevention. Herpes Gladiatorum at a High School Wrestling Camp, Minnesota. MMWR, 1990. https://www.cdc.gov/Mmwr/preview/mmwrhtml/00001552.htm
- Centers for Disease Control and Prevention. MRSA Basics. https://www.cdc.gov/mrsa/about/index.html
Este artigo destina-se apenas a informação geral e não constitui aconselhamento médico. Se pensa que tem uma infeção, consulte um médico. Estas declarações não foram avaliadas pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA. Este produto não se destina a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença.








