MRSA em desportos de equipa: o que os treinadores e os pais devem saber
O contacto próximo, o material partilhado e os arranhões fazem das equipas um local propício à transmissão do MRSA. Rotinas claras nas instalações e em casa mantêm os surtos raros.

- Os surtos em equipas têm sido associados à partilha de toalhas e de bálsamos, a escoriações causadas pela relva sintética e ao hábito de rapar os pelos do corpo.34
- As instalações e o equipamento partilhado devem manter-se limpos durante toda a época, e não apenas depois de surgir uma infeção.1
- Os jogadores devem tomar duche depois do treino, tapar os cortes e lavar e secar na máquina os equipamentos e as toalhas após cada utilização.2
- Um jogador com uma ferida que não possa ser totalmente tapada deve ficar de fora, e é um médico que decide quando pode regressar.1
Porque surge o MRSA nas equipas
O MRSA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina) é um tipo de estafilococo que não responde a alguns antibióticos comuns. Transmite-se por contacto com pele infetada e com objetos que lhe tenham tocado, e os CDC (a agência de saúde pública dos EUA) incluem os atletas entre os grupos de maior risco.5
As equipas reúnem muitos fatores de risco ao mesmo tempo. Um relatório dos CDC de 2003 sobre surtos entre jogadores de futebol americano, lutadores e esgrimistas apontou lesões de pele causadas por escoriações na relva sintética e por rapar os pelos, a partilha de toalhas, de bálsamos e de lubrificantes, e equipamento partilhado sem limpeza regular.3
Numa equipa universitária de futebol americano, 10 dos seus 100 jogadores ficaram infetados em cerca de oito semanas. Os jogadores com escoriações causadas pela relva sintética e os que rapavam os pelos do corpo tinham maior probabilidade de ser infetados, tal como os cornerbacks e os wide receivers, posições com muito contacto com a pele.4
A boa notícia é que os mesmos relatórios apontam soluções baratas e simples: duches, toalhas limpas, feridas tapadas e equipamento limpo.3
O que podem fazer os treinadores e a equipa técnica
O conselho dos CDC aos treinadores começa com uma regra simples: manter as instalações desportivas e o equipamento partilhado sempre limpos, quer tenha havido uma infeção, quer não.1
- Limpar o equipamento partilhado após cada utilização e deixá-lo secar antes de a pessoa seguinte o usar.1
- Usar lixívia doméstica, um produto de limpeza à base de detergente ou um desinfetante registado na EPA norte-americana nas superfícies que tocam na pele nua, seguindo as instruções do rótulo.1
- Definir um calendário regular de limpeza para objetos partilhados, como tapetes, proteções e outro material.3
- Garantir que as banheiras de hidromassagem e os tanques de terapia são devidamente desinfetados entre utilizações.4
- Incentivar a higiene das mãos e um duche com sabão depois de cada treino e de cada jogo.3
- Facilitar que os jogadores comuniquem cedo os problemas de pele, sem medo de ficarem injustamente no banco.
Os técnicos de saúde desportiva são muitas vezes os primeiros a detetar um problema de pele. Nos desportos de contacto, convém incluir uma verificação rápida da pele na rotina dos treinos, para que os pequenos problemas sejam detetados cedo.
O que podem fazer os pais e os jogadores
- Lavar os equipamentos, a roupa de treino e as toalhas após cada utilização e secá-los completamente na máquina de secar, e não no estendal.2
- Pôr na mochila da criança a sua própria toalha, garrafa de água e lâmina de barbear, e ensiná-la a não partilhar toalhas, toalhas de rosto, roupa ou pomadas.2
- Tapar cortes e arranhões com pensos limpos e secos até sararem.2
- Tomar duche logo após o treino e não partilhar sabonete em barra.2
- Pensar duas vezes antes de rapar os pelos do corpo durante a época. Este hábito foi associado a infeções no surto universitário.4
- Verificar a pele da criança depois dos jogos, à procura de cortes, arranhões ou altos novos, e pedir-lhe que avise se notar alguma coisa vermelha ou dorida.
Para saber mais sobre material partilhado, leia toalhas, lâminas e garrafas de água: o que os atletas não devem partilhar.

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Conhecer a Staph AidSe um jogador tiver uma infeção de pele
Os jogadores devem informar de imediato um dos pais, o treinador ou o técnico de saúde desportiva sobre qualquer possível infeção de pele.2 Os treinadores devem encaminhar o atleta para um profissional de saúde e, no caso de atletas com menos de 18 anos, avisar os pais.1
A regra dos CDC para a participação é clara. Um jogador deve ficar de fora se a ferida não puder ser devidamente tapada, ou seja, com um penso que retenha toda a drenagem e se mantenha no lugar durante toda a atividade.1 Um profissional de saúde pode manter um atleta afastado mesmo com a ferida tapada, se jogar puser a sua saúde em risco.1 Os atletas com infeções ativas ou feridas abertas não devem entrar em piscinas nem em banheiras de hidromassagem até sararem.1
A situação deve ser tratada com discrição e respeito. O objetivo é o cuidado precoce e os bons hábitos de higiene, não a culpa. Em desportos de contacto como a luta, outras infeções de pele também contam; veja infeções de pele na luta.
Quando consultar um médico
O tratamento precoce ajuda a prevenir complicações.2 Deve levar um jogador ao médico em caso de:
- Um alto ou uma zona vermelha, inchada, quente, dolorosa ou cheia de pus5
- Uma infeção de pele com febre5
- Um problema de pele que não melhore em 48 horas5
- Vários jogadores com feridas semelhantes ao mesmo tempo
- Qualquer infeção de pele num jogador com diabetes ou outra doença crónica
Não deve espremer nem drenar uma ferida.5 Deve procurar cuidados urgentes ou ligar para o número de emergência 112 em caso de febre alta com vermelhidão que se espalha rapidamente, confusão ou dificuldade em respirar.
Uma lista de verificação para toda a época
Deve rever o plano na reunião de pré-época com os jogadores e os pais, para que todos conheçam a rotina antes de alguém se magoar. Depois, convém voltar a revê-lo a meio da época, quando os horários ficam mais preenchidos e os hábitos se desleixam.
- Calendário de limpeza afixado e produtos de limpeza abastecidos
- Cada jogador tem a sua própria toalha e garrafa de água
- Estojo de primeiros socorros com muitos pensos
- Duche depois de cada treino e de cada jogo
- Uma forma clara e sem culpabilização de comunicar problemas de pele
Com estas bases asseguradas, ficam cobertos os passos mais importantes para manter o MRSA longe da equipa.
- Centers for Disease Control and Prevention. Athletic Facilities: MRSA Prevention and Control. https://www.cdc.gov/mrsa/prevention/coaches-athletic-directors.html
- Centers for Disease Control and Prevention. Athletes: MRSA Prevention and Control. https://www.cdc.gov/mrsa/prevention/athletes.html
- Centers for Disease Control and Prevention. Methicillin-resistant Staphylococcus aureus infections among competitive sports participants: Colorado, Indiana, Pennsylvania, and Los Angeles County, 2000–2003. MMWR. 2003;52(33). https://www.cdc.gov/mmwr/preview/mmwrhtml/mm5233a4.htm
- Begier EM, Frenette K, Barrett NL, et al. A high-morbidity outbreak of methicillin-resistant Staphylococcus aureus among players on a college football team, facilitated by cosmetic body shaving and turf burns. Clinical Infectious Diseases. 2004;39(10):1446–1453. https://academic.oup.com/cid/article/39/10/1446/457519
- Centers for Disease Control and Prevention. Methicillin-resistant Staphylococcus aureus (MRSA) Basics. https://www.cdc.gov/mrsa/about/index.html
Este artigo destina-se apenas a informação geral e não constitui aconselhamento médico. Se pensa que tem uma infeção, consulte um médico. Estas declarações não foram avaliadas pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA. Este produto não se destina a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença.








